Friday, October 30, 2009
Tuesday, October 27, 2009
Thursday, August 20, 2009
Sol, de lá.
Papel, ida. Braços, Tenho que ir, gole de vidro, Fica, gotas na camisa, aperto de mãos, costas, boca, língua, longo.
Olhos: sol sono sonho. Último botão, casaco no braço, Bom dia. Ilha mar de ressaca alga na areia, Que horas?. Lençol, onda arranhada. Abraço, cão atrás do rabo, rouba passada, Volta. Manhã emudece.
Falei que sim, vou. Grama cortada chuva terra mangas no chão. Olhos, pipa ao vento. Folhas, aceno, unha no quadro, passo, outro, outros, arfar, longe, Vai. Sol, náufrago.
Thursday, August 13, 2009
Friday, June 12, 2009
Friday, April 17, 2009
Thursday, March 19, 2009
Neblina.
Tuesday, January 27, 2009
Thursday, November 20, 2008
Tuesday, October 14, 2008
Saturday, August 30, 2008
Lua velha.
Vai e vem arranhado no branco da janela. Fresta. Cortina, alga no azul, fundo. Língua, dourada, brilhospontos. Borboletam uns, outros pousam. Tacos, mosaico de tons, beira da colcha, ao lado, gaveta quase aberta, madeira escura, marca do copo. Passo firme mão pesada enxuga o tampo, tarde, Já falei mil vezes, recolhendo outro. Outro anel. Verniz, lasca faltando, Quando?, luminária apagada, caixa de lenços, Tantas, caneca, olho, vazio, ainda molhado, Nem mais quantas.
Lençol, mar movimento, trama do sono. Braço, balsa amarrada. Travesseiro e rosto, pedra na água, mergulho no meio, grisalho dos fios, soltos. Ar ruidoso, lenta marola. Vez ou outra, silêncio, curto. Não essa. Onda suspensa, gota no ar. Peito, galope, goles de vidro, Será que agora pelo menos dormindo pára com isso que dia é hoje ligo para quem, Mãe? Copo, borda só, Socorro, Mãe? lua velha. Olhar, encharcado, dente estala ponta da unha. Água no cais, remanso. Rede na praia, Filha? Cacho preso atrás da orelha, lábio acanhado, Pensei que, nada, seu remédio. Juntos, dedos, linhas na palma, azul aninhado, pele, mesma, um dia Vida longa dois filhos casal homem bonito na sua vida, gargalhadas mais tarde. Gole, pequeno, Bebe mais, Depois, Vou deixar aqui. Olhar, olhos, anéis no céu, escuro. Água, dança. Do bolso, cortiça, jangada clara, mar na noite.
Pés, juntos, vergonha nas mãos, mecha insistente, sorriso quase, olhar, pássaro, Fecho a porta?, Não precisa. Corredor, manchas de sol, Filha?, gato antes do pulo, mão envolve o frio, Fecho? Não, nada, é que, nada, vai lá, filha, vai. Lagos, juntos, espelhos de frente, te amo engolido, passos, fracos. No sofá, almofada nos braços, choro abafado, um pé sobre o outro.
Onda arrebenta, pano flutua, olhos no mar, fio dourado desenha dobras. Jangada, cristal, bolha, só, solta, sobe, some.
Tuesday, August 19, 2008
Sunday, August 17, 2008
Tuesday, August 12, 2008
Monday, July 28, 2008
Tuesday, July 22, 2008
Tuesday, July 08, 2008
Tuesday, July 01, 2008
Há onde o inverno é sempre
Se ainda fumasse, um cigarro. Um fósforo, então. Amargo nos lábios. A ponta do tapete virada. Farelos, tapete, chão. Em azul, rápidas letras miúdas, café, vinagre, papel toalha, pasta de dentes, pregados com imã calendário, telefone da farmácia. Manteiga, Acho que também acabou. Já depois que ela. O que sobrou do fósforo no lixo, Tenho que tirar. Encarei a porta e o batente escuro emoldurou o que ainda não saudade mas já um aperto, demasiado. Cabelo atrás da orelha, leveza da mão a esfregar no rosto o sono e o bom dia afogado em bocejo, pantufas até a geladeira. Até aos domingos, mesmo um pouco mais tarde, eu acordado, caneca cheia, encostado à bancada, ela, sono, pantufas, o lençol desenhado no rosto, pernas. Não mais.
Nem tanto tempo assim, outro dia ainda. Porta aberta, bolsa no ombro, sacola cheia, um sapato para fora, Pego o restante depois, o olhar, folha no rio. É isso?, escapou-me arranhando garganta, chave no bolso, Depois devolvo, pés no carpete, E as coisas?, Depois a gente pensa, e o corredor já lhe abraçava a voz, o martelar do salto. Outro dia ainda. Depois a gente pensa. Depois. Marca da maçaneta, sempre marca, os dois, preto e branco, crianças, E a moldura?, Você escolhe, Preta, larga, pescador de costas encarando o lago, azul, azul-quase-preto, emoldurado, fora de prumo. Continua.
Se ela não o levar, talvez.
E os pássaros?
Dedos, só a ponta, no agitar do vidro. Escorre o dia. Guarda-chuva, peão de criança em final de giro, passos de susto, bolsa molhada no alto da cabeça, vela de jangada puxada na mão, pernas finas, branco dos sapatos, flores, desfeitas. Um pulo, flor aberta, outra se perde em água. Rodas aram rio, onda no pano da jangada. Navegar turbulento, pouco mais. Teto de concreto, parede, uma só. Pescoço espichado, olhar de espera. Cachorro, também náufrago, debaixo do banco. Novamente linhas acesas, Esse mais fraco, ou longe. Pêlos, momento céu, espalha chuva em susto, pé batido no chão, chute no ar, rabo e patas corrida alvoroço.
Branco, fachadas janelas calçada. Navios ao chão, As tomadas. Sofá para o lado, tapete embolado, finas patas, caminhar delicado, poeira, cabelos, fuga emaranhada. Tapete, azul, vermelho, descalço, Eca, amarelo manchado, Tenho que limpar antes, Por que não liga?. Mão segura o fio, Já está passando, será que precisa?. Suspiro, desabado, pernas cruzadas, almofada no colo. Telefone, cinzeiro, lembrança de salv, Quebrou na festa, nem um mês, última. Vestido claro, alça caída, marca da praia, quase o rosa, Ajeita, tá todo mundo olhando, continuou dançando, sorriso solto, gelo e dedos, criança na água. Criança na sala.
Lampejo, distante. Quase nem fachada. Quase noite. Chiado em marola, ainda aplausos. O horizonte, janela. Acesa, uma. Galhos e folhas, algazarra, Para onde?. Corpo aninhado, rosto no braço do sofá, Ela bem que podia. Outra janela acesa. O olhar, neblina, misturando contornos, farfalhar, longe, mancha no tapete.
Thursday, April 17, 2008
Friday, February 01, 2008
Manhã no hotel
Nos lençóis, leve marola do respirar de um sono tardio. Ombro nu, nau à deriva em quase sonhos, entregue ao terno roçar da barba rala e dos lábios ainda acordados. A ponta do meu nariz correu a curva até a nuca. Tímido eriçar da pele, náufragos espalhados, ombro, nuca, braço.
Em abraço, acolhi náufragos, nau, sonhos a começar. Afoguei os olhos na claridade de seus cabelos. Um chá, uma tarde chuvosa no Leblon, várias vezes uma praça colorida em Londres, o silêncio de uma canoa rio abaixo, beijo suado no alto de uma pedra. Sorri.
No sorriso, canoas, beijos, praças a flutuar no quarto cheio daquela manhã insistente. Quis o sono, a noite de volta, mais de você.
Borboletas pálidas
As mãos indecisas sobre o colo esfregavam a dor da idade que começara aos poucos, anos atrás, envolvendo apenas os nós dos dedos. Hoje a dor já passeava junto com as rugas e as manchas que lhe subiam os braços até os ombros e se deixavam cair pelas costas misturando-se às feridas da vida sozinha. Tentou encontrar em meio a outras tantas preocupações com remédios, dores e o sono que já não tinha, um motivo para se levantar. Desistiu engolindo saliva e o gosto do café frio ainda presente. Passeou os olhos turvos pela sala empoeirada. A estante com os livros há muito fechados, o porta-retrato vazio, o sofá bege manchado e gasto combinando com o carpete.
Levou a mão trêmula ao rosto e deixou que os dedos pousassem sobre a bochecha. Coçou as manchas, sem pressa, com os lábios entreabertos. Os poucos fios de barba já brancos e sem determinação se deixaram embalar pelos dedos inseguros. A mão aos poucos foi baixando e por instantes parou no ar, como as borboletas, agitada, indecisa, trêmula. Olhou-a flutuar ali por alguns instantes. Irritou-se com o movimento, irritou-se mais uma vez com o vôo independente da mão que há muito não controlava. Respirando fundo levantou os olhos e os deteve na luminária que guardava mariposas.
Pensou em voltar para a cama. Dormir. Dormir para não ver a velhice, mas o sono desistira dele pelo caminho. O sono o deixara sozinho com seus olhos abertos e os pensamentos confusos. Deitava e ficava imóvel tentando enganar-se que dormia. Querendo empurrar com as pálpebras o tempo que se tornara única companhia. O tempo. Que ficava ao lado, sempre. Para sempre. Tempo que não o deixava ir, nem tampouco retornar. Que não o deixava esquecer, mas não lhe facilitava as lembranças. Tempo que não o deixava mais decidir, apenas lamentar, sem efeito, para mariposas confinadas. Tempo que lhe roubava o calor do café e lhe trazia em mãos as dores.
Lembrou-se da foto arrancada do porta-retratos por ele mesmo, em um momento de raiva, quando ainda não existia o vôo. As lágrimas transbordaram de seus olhos lavando as manchas no rosto, salgando os lábios, caindo sobre as borboletas pálidas em seu colo. Queria conseguir dormir, sem o tempo. Queria conseguir dormir sozinho. Sonhava acordado com um sono sem dor, sem lembranças, sem pressa. Quis enxugar os olhos, mas o bater das asas pálidas o impediu. Derrubou-as sobre a mesa com força. Com raiva. Deixou seus olhos chorarem. Deixou-os, olhando as mãos, chorando o tempo.
(Publicado no Caderno Pensar do Correio Braziliense no dia 24 de abril de 2004.)






































































